quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Encorajamento para Desenvolver a Santidade


Autor: Dr. Joel Beeke


Leia as Escrituras não somente como história,
mas também como uma carta de amor
enviada por Deus para você.
Thomas Watson


O desenvolvimento da santidade
é uma necessidade.

Thomas Watson
chamou isso de “trabalho árduo”. Felizmente,
Deus nos providencia muitas
motivações para a santidade em sua
Palavra. Para encorajar-nos na busca
pela santidade, precisamos focalizar as
seguintes verdades bíblicas.

Deus nos chamou à santidade

“Porquanto Deus não nos chamou
para a impureza, e sim para a santificação”
(1 Ts 4.7). Todas as coisas
às quais o Senhor nos chama são
necessárias. Sua própria chamada,
assim como todos os benefícios de
um viver santo que experimentamos,
devem nos induzir a buscar e praticar
a santidade.


A santidade aumenta o nosso
bem-estar espiritual.
Deus nos assegura
que “nenhum bem sonega aos
que andam retamente” (Sl 84.11). “O
que a saúde é para o coração”, observou
John Flavel, “a santidade é para
a alma”.1 Na obra escrita por Richard
Baxter sobre a santidade, os próprios
títulos dos capítulos são esclarecedores:
“Santidade é o único caminho de
segurança”; “Santidade é o caminho
mais benéfico”; “Santidade é o único
meio honroso”; “Santidade é o caminho
mais agradável”.2
Contudo, ainda mais importante,
a santidade glorifica ao Deus que
você ama (Is 43.21). Como afirmou
Thomas Brooks: “A santidade faz o
máximo para honrar a Deus”.3

A santidade fomenta
a semelhança a Cristo


Thomas Watson escreveu: “Devemos
nos empenhar em sermos
semelhantes a Deus em santidade.
Este empenho é um espelho nítido
no qual podemos ver um rosto; é um
coração santo no qual pode ser visto
algo do caráter de Deus”.4 Cristo é o
padrão de santidade para nós — o padrão
de humildade santa (Fp 2.5-13),
compaixão santa (Mc 1.41), perdão
santo (Cl 3.13), altruísmo santo (Rm
15.3), indignação santa contra o pecado
(Mt 23) e oração santa (Hb 5.7).
Desenvolver a santidade que procura
assemelhar-se a Deus e tem a Cristo
como padrão nos salva de muita hipocrisia
e de um cristianismo apenas
domingueiro. Esta santidade nos dá
vitalidade, propósito, significado e
direcionamento no viver diário.

A santidade dá evidência
da justificação e da eleição


A santificação é um fruto inevitável
da justificação (1 Co 6.11). Estes dois
elementos podem ser distinguidos,
mas nunca separados; o próprio Deus
os uniu. A justificação está organicamente
ligada à santificação; o novo
nascimento dá origem à uma nova vida.
O justificado andará no “caminho de
santidade do Rei”.5 Em Cristo e através
dEle, a justificação dá ao filho de Deus
o direito e a ousadia de entrar no céu;
a santificação dá-lhe a aptidão para
o céu e a preparação necessária para
chegar lá. A santificação é a apropriação
pessoal dos frutos da justificação. B.
B. Warfield observa: “A santificação
é tão-somente a execução do decreto
de justificação. Pois, se a santificação
falhasse, a pessoa justificada não seria
liberta de acordo com sua justificação”.6
Conseqüentemente, o decreto de
justificação de Cristo, em João 8.11
(“Nem eu tampouco te condeno”), é
imediatamente seguido pelo chamado
à santidade: “Vai e não peques mais”.
A eleição é também inseparável
da santidade: “Deus vos escolheu
desde o princípio para a salvação,
pela santificação do Espírito e fé na
verdade” (2 Ts 2.13). A santificação é
a marca de identificação das ovelhas
eleitas de Cristo. Por isso, a eleição é
sempre uma doutrina confortante para
o crente, pois esta é o seguro fundamento
que explica a graça de Deus
operando nele. Por isso, os nossos
antepassados reformados consideravam
a eleição como um dos maiores
consolos do crente, visto que a santificação
torna visível a eleição.7
Calvino insistiu que a eleição não
deveria desanimar ninguém, pois o
crente recebe consolo dela, e o incrédulo
não é chamado a considerá-la
— antes, ele é chamado ao arrependimento.
Aquele que fica desanimado
pela eleição, ou confia-se à eleição
sem viver uma vida de santidade,
está se tornando vítima de um mau
uso satânico desta doutrina preciosa
e encorajadora (veja Dt 29.29). Como
afirma J. C. Ryle: “Não é permitido a
nós, neste mundo, estudar as páginas
do Livro da Vida, e ver se nossos
nomes encontram-se ali. Mas, se há
algo nítido e plenamente declarado
a respeito da eleição, é isto — que
os homens e mulheres eleitos serão
conhecidos e distinguidos por vidas
santas”.8 A santidade é o lado visível
de sua salvação. “Pelos seus frutos os
conhecereis” (Mt 7.16).

A santidade
promove a segurança


“Todos podem estar seguros de
sua fé por meio de seus frutos” (Catecismo
Heidelberg, Questão 86).
Encorajamento para Desenvolver a Santidade 17
Teólogos reformados concordam
que muitas das formas e graus de segurança
experimentados por crentes
genuínos — especialmente
segurança
diária —
são alcançados
gradualmente no
caminho da santificação
, mediante o cuidadoso
conhecimento da Palavra de Deus,
dos meios da graça e da conseqüente
obediência.9 Uma aversão crescente
pelo pecado, mediante a mortificação,
e um amor crescente pela obediência
a Deus, por meio da vivificação,
acompanham o progresso da fé,
enquanto ela cresce em segurança.
A santidade centralizada em Cristo
e operada pelo Espírito é a maior e
mais sã evidência da filiação divina
(Rm 8.1-16).
O meio de perder um senso diário
de segurança é deixar de buscar santidade
diariamente. Muitos crentes
vivem de modo relapso. Tratam o
pecado despreocupadamente, ou
negligenciam as devocionais diárias
e o estudo da Palavra. Outros vivem
de maneira muito inativa. Não desenvolvem
a santidade, mas assumem a
postura de que nada pode ser feito
para nutrir a santificação, como se
esta fosse algo externo a nós, exceto
em raras ocasiões, quando algo muito
especial “acontece” interiormente.
Viver de maneira descuidada e inerte
é pedir por escuridão espiritual, desalento
e falta de frutos diariamente.

A santidade nos purifica

“Todas as coisas são puras para
os puros; todavia, para os impuros
e descrentes, nada é puro” (Tt 1.15).
A santidade não pode ser exercitada,
quando o coração não foi fundamentalmente
transformado
por meio de
regeneração divina.
Por meio do
novo nascimento,
Satanás é destituído,
a lei de Deus é escrita no coração
do crente, Cristo é coroado Senhor
e Rei e o crente é feito “disposto e
pronto, conseqüentemente, para viver
em Cristo” (Catecismo Heidelberg,
Questão 1). “Cristo em nós” (Christus
in nobis) é um complemento essencial
para “Cristo por nós” (Christus
pro nobis).10 O Espírito de Deus não
apenas ensina ao crente o que Cristo
fez, como efetiva a santidade e a obra
de Cristo em sua vida pessoal. Por
meio de Cristo, Deus santifica seu
filho e faz suas orações e ações de
graças aceitáveis. Como disse Thomas
Watson: “Um coração santo é o
altar que santifica a oferta; se não é
por satisfação, é por aceitação”.11

A santidade é essencial para
um serviço efetivo a Deus


Paulo une a santificação à utilidade:
“Assim, pois, se alguém a si
mesmo se purificar destes erros, será
utensílio para honra, santificado e útil
ao seu possuidor, estando preparado
para toda boa obra” (2 Tm 2.21).
Deus usa a santidade para assistir
aos pregadores do evangelho, para
aumentar a influência da fé cristã, a
qual é desonrada pelo descuido dos
crentes e hipócritas que freqüentemente
servem como os melhores
aliados de Satanás.12

A santificação é um fruto
inevitável da justificação.


Nossas vidas estão sempre fazendo
o bem ou o mal; elas são uma carta
aberta para que todos leiam (2 Co
3.2). Um viver santo influencia e impressiona
mais do que qualquer outra
coisa; nenhum argumento pode igualar-
se a uma vida santa. Ela mostra a
beleza da religião; dá credibilidade
ao testemunho e ao evangelismo (Fp
2.15).13 A “santidade”, escreve Hugh
Morgan, “é o modo mais eficiente de
influenciar pessoas não convertidas
e de criar nelas uma disposição para
ouvir a pregação do evangelho” (Mt
5.16; 1 Pe 3.1-2).14
A santidade manifesta-se em humildade
e reverência a Deus. Deus
procura e usa pessoas humildes e
reverentes (Is 66.2). Como observa
Andrew Murray: “O maior teste para
sabermos se a santidade que professamos
buscar ou possuir é verdade e
vida, será observar se ela se manifesta
na crescente humildade que produz.
Na criatura, a humildade é algo necessário
para permitir que a santidade
de Deus habite nela e brilhe por meio
dela. Em Jesus, o Santo de Deus que
nos faz santos, a humildade divina foi
o segredo de sua vida, sua morte e sua
exaltação. O teste infalível para nossa
santidade será a humildade diante de
Deus e dos homens, a qual nos marca.
A humildade é o esplendor e a beleza
da santidade”.15

A santidade nos
prepara para o céu


Hebreus 12.14 diz: “Segui [literalmente:
buscai]... a santificação, sem a
qual ninguém verá o Senhor”.
Como escreveu John Owen:
“Não há imaginação que iluda tanto
o homem, que seja mais tola e mais
perniciosa do que esta: que pessoas
não purificadas, não santificadas, que
não buscam santidade em suas vidas
possam depois ser levadas a um estado
de bênção, que consiste no gozo
de Deus. Nem podem tais pessoas ter
gozo de Deus, nem tampouco Deus
ser o galardão delas. De fato, a santidade
é aperfeiçoada no céu; contudo,
o começo dela está invariavelmente
restringido a este mundo. Deus leva
para o céu somente aquele que Ele
santifica nesta terra. O Deus vivo não
admitirá pessoas mortas no céu”.16
A santidade e o mundanismo,
portanto, são opostos um ao outro.
Se estivermos apegados a este mundo,
não estamos preparados para o
porvir.
____________
1. Citado em Blanchard, John.
Gathered gold. Welwyn, England:
Evangelical Press, 1984. p. 144.
2. The Spiritual and Carnal Man
Compared and Contrasted; or,
The Absolute Necessity and Excellency
of Holiness. The select
practical works of Richard Baxter.
Glasgow: Blackie & Son, 1840. p.
115-291.
3. Citado em Blanchard, John.
More gathered gold. Welwyn,
England: Evangelical Press, 1986.
p. 149.
4. Watson, Thomas. A Body of divinity.
Grand Rapids: Sovereign
Grace Publishers, 1970. p. 172.
Reimpressão da edição de 1856.
Encorajamento para Desenvolver a Santidade 19
5. Owen, John. The works of John
Owen. London: Banner of Truth
Trust, 1967, v. 11, p. 254, ss.
Reimpressão da edição de 1851.
Beeke, Joel R. Jehovah shepherding
his sheep. Grand Rapids:
Reformation Heritage Books,
1997. p. 186-188.
6. Warfield, B. B. Perfectionism.
Phillipsburg, N. J.: P&R, 1958.
p. 100.
7. Marshal, Walter. The gospel
mystery of sanctification. Grand
Rapids: Reformation Heritage
Books, 2000. p. 220-221. Reimpressão.
8. Ryle, J. C. Holiness. Greensboro,
N. C.: Homiletic Press, 1956. p.
27. Reimpressão.
9. Beeke, Joel R. Assurance of faith:
Calvin, English puritans, and
the dutch second reformation.
New York: Peter Lang, 1991. p.
160, ss. Ver também Westminster
confession. e o Canons of Dort,
Head 5.
10. Bonar, Horatius. God’s way of
holiness. Pensacola: Mt. Zion
Publications, 1994. Charpter 2.
Reimpressão.
11. Watson, Thomas. A Body of divinity.
p. 167.
12. Ryle, J. C. Holiness. p. 62.
13. Coppes, Leonard J. Are five points
enough? ten points of Calvinism.
Manassas, Va.: Reformation
Educational Foundation, 1980.
p. 94-96.
14. Morgan, Hugh D. The holiness of
God and of his people. Bridgend,
Wales: Evangelical Press of Wales,
1979. p. 9.
15. Murray, Andrew. Humility: the
beauty of holiness. Old Tappan,
N. J.: Revel. p. 40.
16. Citado em Thomas, I. D. E. The
golden treasury of puritans quotations.
Chicago: Moddy Press,
1975. p. 141.

Extraído de: http://www.editorafiel.com.br/fotos_produtos/revistas/pdf/00036.PDF

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